Kika Pra Viagem

Hoje à noite acontece no Sesc Pompeia show de lançamento de Pra Viagem, primeiro álbum da Kika. Coautora de uma música no disco do Pipo Pegoraro e duas no álbum do Bixiga 70, integrante de bandas como Argamassa, Grupo Trilha e As Posers, neste primeiro lançamento com seu nome encontra um registro leve, orgânico, tranquilidade em sons, pop retrô, afrodub, música brasileira, lançado em irresistível LP transparente de dez polegadas, destaque do ano. Produzido por Décio 7 e Victor Rice, o disco tem participações de músicos do Bixiga 70, Antibalas, Rockers Control, além de Anelis Assumpção, Kiko Dinucci, Gui Held, Dustan Gallas, alguns presentes na noite de gala hoje. Conversei com Kika para uma apresentação básica, breves perguntas e comentário faixa-a-faixa do disco, seguindo abaixo.

Quais seus principais trabalhos até o Pra Viagem?

Acho que a primeira coisa bem legal que eu fiz foi cantar numa formação dos Secos e Molhados, uma curta temporada num teatro em 1996. Muito incrível cantar aqueles discos com o compositor das músicas. Outra coisa bonita foi o grupo vocal Trilha, que era um trio feminino que trabalhava com arranjos a três vozes, que a gente escrevia. A banda ARGAMASSA era muito massa também, embora a gente estivesse começando a produzir, em casa, super na raça. Era um núcleo muito legal, com o Cris Scabello, o Décio 7 e o Marcelo Dworecki. Depois disso fiz um trampo com quase a mesma banda, acrescentando o Maurício, o Pipo e o compositor das canções, o Danilo Monteiro. O projeto teve dois nomes: “2min” e “Miudezas e Afins”. E também fiz trilhas pra teatro e cinema. A que mais gosto foi pruma peça infantil, “A Viagem de Ultra-Violeta”.

Quando nasceu a ideia do disco?

Eu sempre tive um pouco de resistência com a idéia de lançar um disco meu, preferia sempre trabalhar em grupo. Mas o que rolou foi que depois da Argamassa, os meninos foram trabalhar com tanta gente, que fiquei trabalhando sozinha por muito tempo, deu pra compor bastante, estudar e descobrir um monte sobre meu gosto, minhas idéias e tudo. E ao mesmo tempo, aquilo que a gente estava construindo em linguagem musical, começou a realmente fazer um efeito, eu comecei a ouvir um som ali, na nossa pesquisa. Os meninos no Traquitana começaram a concretizar sonoramente o que a gente tinha “projetado” um tempo antes. Então percebi que havia um valor naqueles meus arquivos, na minha pesquisa vocal…. e que havia um caminho seguro com esses parceiros de linguagem, e que daria menos medo de cair naquela tempestade no molhado de ser uma cantora brasileira.

Como foi o processo de composição, produção e gravação?

Eu e o Décio escolhemos juntos as músicas que a gente queria produzir, e montamos uma banda pra cada uma. Depois ele editava o mateiral e começavam as sobreposições, de teclado, mpc, vocais, etc. A gente começou tudo aí, no fim de 2010, eu e o Décio. E terminei agora no fim de abril de 2012. O Décio produziu “Manhãzinha”, “Sem saber” e “Pulso” até julho de 2011. Chamei o Victor em setembro de 2011 pra produzir “De passagem”, “Amor bastante”, “Sai da frente” e “Singing along”. “Enxurrada” nós decidimos incluir este ano, e foi o Décio que produziu de novo.

Nas músicas que o Victor produziu, ele pegou as gravações e foi gravando os baixos, escaletas, guitarras, cello, … e também escalou os amigos dele do Brooklyn pra tocar, cada um gravando em seu home studio e mandando as linhas via internet. As vozes eu também gravei com o Victor, com exceção da Sai da Frente, que também é exceção na pré produção. Fiz com o Loco Sosa e a Lu Horta, numa sessão na casa deles no fim de 2010, numa tarde chuvosa de verão. Daquela pré produção tudo valeu, até as vozes que a gente gravou, eu e a Lu. Depois eles sobrepuzeram algumas linhas de beats e barbatuques, e mandaram para as mãos do Victor, nosso mestre.

Acho legal dizer sobre os elementos “improvisação” e “acaso”, que fizeram parte da construção dessa sonoridade. Considero que foi a vantagem de criar as músicas sem estarem ensaiadas por uma banda. Criei os arranjos vocais na hora que cantava a voz guia, e também várias linhas de teclado e metais. Claro que depois eu ia pra casa e escrevia tudo direitinho, mas foram mantidas as idéias que vieram na hora. Com o Kiko Dinucci, com o Dustan, o Gui Held e o Maurício foi bem assim também. Toquei a música no violãozinho pra eles já no estúdio com tudo ligado, e eles foram criando sobre o que acabaram de ouvir pela primeira vez na vida. Os beat box do Giba e do Denis em “Singing Along” também foram total fruto do acaso, os caras estavam no Traquitana por outro motivo, e a gente deu aquela escalada, eles curtiram e ficaram pirando na hora.

Outra coisa muito importante é saber que a mixagem do Victor, mesmo nas músicas que não foram produzidas por ele, é um elemento forte de linguagem. Ele tem os conceitos do Dub muito definidos no jeito de trabalhar, de escolher os efeitos, de manipular ao vivo na mesa durante a mix, de passar tudo pelo rolo e trazer esse eco analógico e jamaicano pra concepção final. Ele trabalhou muito sozinho, e eu chegava lá com uma idéia, ele ligava o mic e eu fazia, e depois ele editava e gravava as idéias dele em cima. Até uma letra eu experimentei lá com ele e ficou. O metalofone e os kazoos, gravei com ele também.

Algumas canções são super novas. “Singing along” eu fiz com o Décio no fim de 2011, e acabou entrando no disco, que já estava quase pronto.

Duas eram da Argamassa, e até já foram gravadas em casa: “De passagem” e “Sem saber“.

Amor Bastante” eu fiz quando a minha filha nasceu. A primeira estrofe é um poema do Leminski.

Manhãzinha” foi uma música que eu fiz sozinha e mostrei pro Décio. Acho que foi ela que deixou a gente mais a fim de fazer esse disco, porque ela era divertida e despretensiosa.

Enxurrada” é uma música do Denis Duarte, e quem conhece o Denis sabe que ele compõe instantaneamente. A gente estava na casa do Lenis, eu, o Denis e o Décio. Os meninos no groovie, o Denis no cavaco, e ele saiu cantando, literalmente, cantando a música inteira na hora. A gente gravou no mesmo dia, minutos depois.

Sai da frente” é do Leandro Bomfim. Ele lançou essa música num disco que se chama A Malta, que ele fez só ele e o Zé Nigro. É um disco lindo.

E “Pulso“, é uma música do Mau e do Renato Gama, que estava no repertório de uma banda chamada Zungo. Eu cantei nessa banda, com Mau, Cris, Décio e Tiago Saraiva, mas antes, um tempo antes, quem cantava nessa banda era a Anelis. Eu conheci essa música na voz dela, por isso que a convidei pra cantar comigo, e todo mundo da banda tocou também.

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